sábado, 28 de janeiro de 2017

Artesanato: oxigênio para a vida


André Franco é filho mais velho do artista plástico Siron Franco. Apesar de ter vivenciado as artes plásticas desde muito cedo, nunca quis se atrever aos pincéis. “Primeiro precisa ter muito talento e eu não sei pintar nem uma árvore, graças a Deus! ” Na concepção do pai dele, todo gênio tem que ser desestimulado. Por isso, não teve nenhum tipo de pressões para seguir os mesmos passos. André, menino curioso, ficava era encabulado com a quantidade de quadros espalhados por todo o apartamento que moravam em Goiânia, na Alameda das Rosas. “Até no banheiro de empregada tinha e eram mais de 150, porque um dia eu contei um por um. ”

Já que se dizia não ter talento para as telas aceitou o chamado para jogar futebol de salão e pelo clube Jaó representou Goiás, em campeonatos brasileiros. Logo depois se apaixonou por xadrez e passou a dedicar-se a isso, por quase uma década. “Fui tricampeão goiano, na minha faixa etária infantil”. A música também foi um chamariz, com 8 anos ouvia MPB e se apaixonou por Chico Buarque. “Mas para não pensar que eu era um moleque precoce eu tinha o meu lado brega também e adorava a ‘Sandra Rosa Madalena’ do Sidney Magal”. Depois passou a ouvir música clássica acompanhando o Festival Charles Chaplin, que passava na Rede Globo todos os domingos, após o Fantástico. Para completar: Blitz, Paralamas, Legião Urbana, Titãs e Ultraje a Rigor foram algumas das bandas que o acompanhou durante a juventude.

Saiu de Goiás no ano de 1991, para fazer Jornalismo na UMESP, em São Paulo. Depois, foi para os Estados Unidos fazer mestrado em Cinema Latino-Americano pela Universidade da Geórgia. “Sai adolescente para estudar em SP, voltei para Goiás com dois filhos e uma esposa venezuelana”. Hoje exerce o cargo de Gerente de Artesanato do Estado de Goiás e o de Coordenador Estadual do PAB (Programa do Artesanato Brasileiro).

“Respiro artesanato 24 horas por dia e nos 365 dias, do ano. Não considero trabalho - em inglês; isso se chama dream job: emprego dos sonhos”. Sonhando, André segue sua jornada com a missão de mostrar para o povo goiano, em especial que aqui temos um dos melhores artesanatos do país. “Temos que nos orgulhar das peças e dos artesãos goianos, porque eles são artistas fantásticos”. Para finalizar, ele pediu para memorizarmos estes nomes: Carlos Antônio (Aparecida de Goiânia), Nico Miranda (Jataí), Fatinha (Olhos D´Água), José Cambota (Goiânia), Lourenço Menezes (Goiânia) e Zé Cidadão (Silvânia) - pois, orgulharemos muito desses artistas.

Mestre da arte de restaurar


Deolinda Taveira é pura simpatia. Carioca de nascimento e goiana de coração. Ela é bacharel em Pintura e especialista em Conservação de Bens Móveis, pela Escola de Belas Artes da UFRJ; é também especialista em Gestão do Patrimônio Cultural Integrado - ITUC - AL Cátedra UNESCO pela UFPE. Em 1985, após aprovação em concurso público passou a atuar como restauradora de museus. Na prefeitura de Goiânia, por duas vezes foi diretora do Museu de Arte de Goiânia e no Estado de Goiás, junto a Secretaria de Estado da Cultura foi superintende de patrimônio histórico e artístico e atualmente é gerente de patrimônio artístico e cultural na Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia.

Jovem resolveu prestar vestibular para Arquitetura, no Rio de Janeiro e no meio do caminho passou a frequentar um atelier de pintura em Niterói. “A vontade de mexer com os pinceis e as tintas foi maior e quando dei por mim estava na EBA – UFRJ”. Durante o curso, ela foi apresentada a conservação e a restauração de bens culturais, uma paixão que já dura 37 anos. “A pintura, depois do restauro tornou um sonho a ser realizado na aposentadoria, pois é difícil conciliar a criação artística com o trabalho técnico e metódico, que é exigido no restauro”, explica.

Deolinda não vê como missão o trabalho que desenvolve e sim como militância. Afinal, trabalhou a vida toda com o que gosta de fazer e sabe fazer, então sorte a nossa! “Tenho o sonho de conseguir colaborar com a institucionalização da área de preservação do patrimônio cultural, em Goiânia”. O desenvolvimento da cultura em todo o estado de Goiás tem o seu próprio modo de operar, segundo a gestora. Ela ainda complementa: “é muito mais rico e verdadeiro no interior do Estado, que na Capital e região metropolitana. E penso isso considerando que no interior, os recursos financeiros são escassos, e todo o esforço é de quem produz, de quem vai aos giros de folia, catira e outras manifestações. O que faço é colaborar para a permanência da cultura e da memória”. Por tudo isso, ela merece a nossa admiração, não é mesmo!?


O incansável remador cultural


Eduardo de Souza é ator, diretor e professor de teatro. Formado em Psicologia e Artes Cênicas, não parou por aí. Atualmente, estuda também Jornalismo Político. Além disso, apresenta o quadro “Arte e Cultura” do programa Mega Profissionais e é diretor do teatro “Madre Esperança Garrido”. Orgulha-se de seguir nesse universo das artes, ou seja, um eterno apaixonado pelo que faz. Tudo começou com as peças teatrais que montava em sua casa, na periferia de Goiânia e tendo como plateia a própria família e os vizinhos. Migrou do palco de sua residência, para as telinhas globais, Eduardo fez uma participação na novela “O Rei do Gado” e não parou mais...

“Eu acredito num mundo melhor através da arte. Ela é o instrumento que consegue penetrar nos espaços mais rígidos e mais inóspitos. A arte é um dom de Deus e é por isso que utilizo e sigo acreditando, que muito ainda podemos fazer”. O que Eduardo tem de utópico, ele tem de realista. Afinal, diz que a missão do artista não é fácil. “A cada dia nos deparamos com a falta de incentivo, com a falta de apoio, com a falta de respeito, por parte dos nossos governantes. A impressão é de que a arte está em último lugar e eu digo: pobre do homem, pobre do governante que acha que a arte não ocupa um lugar de destaque na sociedade. Pelo contrário, uma música ela pode mover o mundo, da mesma forma, que um poema – na verdade a arte ela deveria estar em primeiro lugar, paralelo a educação e a saúde”, complementa.

Pelo pouco retratado aqui sobre a história de Eduardo, nos faz ser gratos por sua determinação. A sensação é de que muitas vezes ele teve que nadar contra a maré e por isso, adquiriu habilidades para não se afogar... São oficinas de formação de atores, direção de espetáculos e uma infinidade de outros desafios cotidianos, que fazem desse artista um ser-humano forte e que acredita no trabalho em equipe, capaz de mudar o cenário: “se eu me fizer pequeno, não tocar o barco a coisa não vai acontecer”. Por isso, Eduardo siga firme nos seus sonhos - remando sempre, em prol de um mar de realizações e muitos aplausos.

Artista de inúmeros palcos


Flávia Cruvinel é sorriso fácil. É força e é ação em prol da cultura. Aos 7 anos começou a dançar e logo depois foi estudar música. Aos 20 iniciou a carreira como professora de violão e não parou mais. Hoje é Pró-Reitora Adjunta de Extensão e Cultura/Coordenadora Geral de Cultura da Universidade Federal de Goiás. É ainda educadora musical, pesquisadora, violonista, mestre em música, gestora e produtora cultural.

Dentre tantos eventos; fez a produção executiva do “Goiânia em Cena” (2006-2008), “I Goiânia Ópera Festival” (2008), Série Música Consciente (2012-2013), Série Músicas e Série Todas as Artes (desde 2012 até o presente momento), “Brazilian Kaleidoscope” - Concerto de Encerramento da ISME - International Society of Musical Education (Thessaloniki, Grécia 2012) Concerto de Abertura da ISME - International Society of Musical Education (Porto Alegre, 2014), La Bomba Latina CCUFG (2014), TEIA em parceria com o MinC (2014). Foi idealizadora e coordenadora de um projeto que se orgulha, que é o “Música no Campus”.

“Penso que trabalhar com arte e cultura no Brasil, em uma sociedade que privilegia os bens de consumo rápido, onde o descartável e o valor monetário imperam é um desafio. Investir em arte e cultura é investir na formação humana, em uma sociedade que está atenta e voltada ao bem do indivíduo, mas também do comum, do coletivo”. Todos nós temos consciência de que no Brasil, esse pensamento não é colocado em prática pela maioria das pessoas do setor público.

Flávia distingue-se; cotidianamente busca apresentar a comunidade trabalhos que representam a diversidade das expressões artísticas e culturais, estimulando a formação sociocultural e estética. Afinal, universidade é palco e serve, essencialmente, para democratizar o acesso aos bens culturais e para dar fomento aos processos criativos inovadores.

Congadeira arretada

Valéria da Congada é goianiense,casada,mãe de duas filhas... Nesta descrição o mais imprescindível é dizer que ela vem de uma família muito rica em cultura popular e de matriz africana. Os pais dela ensinaram a dança dos pretos: a congada e os preceitos religiosos da umbanda e do candomblé. “Sou yalorisa do Ile Asé Vovó Ti Yemonjá - Nação omoloko”. Orgulha-se de fazer parte da única congada de Goiânia, com terreiro. Estudante de pedagogia, também é filha de embaixador de folia de São Sebastião e de Santos Reis.

Em 08 de maio de 1971, nascia à congada “Irmandade 13 de maio”, desde sempre Valéria arregaça as mangas e faz de um tudo para manter essa tradição viva. “Tudo é feito artesanalmente, como: os instrumentos que são os tambores ou as caixas de congo, adereços dos cangadeiros, que chamamos de capacetes. Além disso, tem as bandeirinhas, os chapéus, as cartolas - todos confeccionados a mão, do bordado aos enfeites”, explica.

Todo o conhecimento também é repassado para as novas gerações. “Busco trazer igualdade ao nosso povo sem sair das raízes, pois aqui também temos mulheres na caixa ou tambores”. Valéria da Congada só foi ter reconhecimento moral e voz em 2002, através do Encontro Afro Goiano, na cidade de Goiás. Depois disso, os apoios passaram a surgir.

“Eu sigo o exemplo do meu pai, Onofre Costa do Santos. Ele fundou 5 capitães na nossa irmandade e que hoje estão em outros grupos de Congadas de Goiânia. Todos louvando Nossa Senhora do Rosário”. Ela acredita que tudo que fez e faz ainda é muito pouco e é justamente a confiança do povo tanto das congadas, quanto da religião, que a faz mais corajosa para seguir sua missão. “Entendo que o espaço é pra todos, não tem essa de que o branco é quem manda. Aqui mandamos todos nós. Eu coloquei em mim mesma que a minha cor não me enfraquece, ela só me ajuda e muito”, diz emocionada e quem não fica!?

domingo, 11 de dezembro de 2016

Associação do Samba

“Vila! Nova!
Viiiiiiila Noooova”.

Eu e você queremos samba!
Juntos vamos ecoando súplicas...
Queremos: sim senhor! Pois, ele é alegria pura,
Faz senhoras dançarem num só remelexo,
Neném e caduco unificam os sorrisos.

O jovem curioso sente o surdo. Toca. Toca.
O booom boom da sua negritude.
Ei psiu!? Samba é bem mais que feijoada, mulata gostosa e pandeiro.
Samba é coração, libertação e união. É você e eu.
Por isso, vamos cantando essa melodia de um povo de luz.

Hummmm...E essa história ritmada!?
É só pra descrever um reduto digno da mais pura felicidade.
Universo que perpetua: dança, suor, sorrisos, caridade...
Mistura de gente atrevida que nunca deu um repique com os mestres cinquentenários do samba.
Todos com orgulho batendo no peito: ‘Eu sou o samba da Associação da Vila Nova’.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O doutor da produção cultural


Leo Bigode tem esse apelido desde a adolescência, devido a um bigodinho meio ralo, que tinha. Esse “meio” pseudônimo tornou-se a marca registrada do roqueiro Leonardo Ribeiro Monteiro Belém. Ele que é o fundador da Monstro Discos e do Goiânia Noise Festival. Hoje com 40 anos, casado e pai de 3 filhos ainda lida com o rock independente. Tudo começou quando ganhou um skate do pai, em 1988 e de forma espontânea passou a ouvir Ramones, fazer fanzines e a ser vocalista da Banda Jukes. Depois foi baterista nos Resistentes e Trissônicos, com isso o amor pelo rock foi crescendo de forma imensurável.

Goiânia Noise Festival completa 22 anos, com a marca de ser um dos festivais mais antigos do Brasil. A Monstro também obteve notoriedade e ambos foram notícias nos jornais: O Globo, Folha, Estadão e na revista Veja. Até parece mesmo que o destino estava traçado e que Leo Bigode não iria completar as duas faculdades que iniciou: Química e Biomedicina para ser tornar um doutor da produção cultural. E, assim ele segue a sua missão que é a de gerar conteúdo independente de mercado, de conceitos e do que é dito pela grande mídia.

“Se fosse pra encher o rabo de dinheiro eu tava fazendo sertanejo. Eu tava fazendo axé, eu tava produzindo outro tipo de música, que eu não gosto. Eu acho que a missão é fazer o que gosta e gerar esse conteúdo. É produzir banda. Tem um monte de maluco que acha legal, as coisas que faço. Então, a gente tem que produzir para esse público”, diz entusiasmado. Mas, o que faz encher os olhos do Leo Bigode - com aquela sensação de dever cumprido - é quando pessoas de outros grandes centros do país e do mundo fazem referência a Goiânia, como a cidade que tem o festival de rock e que tem um monte de bandas legais. “É super positivo e eu fico muito feliz de fazer parte disso”, complementa.